domingo, 10 de abril de 2011

bye.


A realidade é composta por factos. Factos compostos por actos. Olhas à tua volta, tudo o que te rodeia, é dependente de algo, ou simplesmente nem tem razão de existência, o que é um facto é que existe e deve servir para alguma coisa, afinal alguma razão tem. São coisas liricamente profundas e difíceis de interpretar, expressam a vida e o tempo. Tão profundas como aquela pequena, grande, realidade, com que por vezes nos deparamos e que nem sempre é fácil de lidar. A realidade sentimental. Esta difere da verdadeira realidade, é um facto. Os sentimentos, mais fortes, podem e mudam tudo. Mudam a maneira de pensar, de viver, de sentir e influenciam o corpo e alma, outro facto. O pensamento é invadido por novas ideias. A maneira de viver, torna-se mais complexa e descuidada, contradizendo-se a si mesma e o verbo “sentir” torna-se verdadeiro, ganha o verdadeiro significado da palavra, podendo exceder limites e ir mais longe que o fim. Tudo se torna verdadeiro, eterno e jamais o tempo verbal “passado” será dito. As coisas mudam, mudam sempre. Apesar de verdadeiros, eternos são apenas até acabar. É uma realidade dura, que deixa toda a gente de pensamentos trocados, objectivos esquecidos, de coração partido. É aqui que o melhor amigo das acções vividas, dos erros cometidos, perdoados, esquecidos, da felicidade mutua, da alegria de todas as pessoas e por aí, vai entrar. Sendo algo nunca ignorado e que faz milagres. O tempo. Este vai ajudar-te a esquecer toda a desilusão que apanhaste, secar as tuas lágrimas e a crescer. Vais começando a perceber que não vale apena o teu esforço diário físico e psicológico, o teu corpo vai cansar-se de estar diferente face à situação e vai começando a ficar cada mais indiferente. Vais precisando cada vez menos do contacto visual, das pequenas palavras com o significado que apenas só tu entendias terem e deixas de tentar encontrar-te (de) propositadamente. Tens pequenas recaídas, de acordo com momentos e pensamentos que por vezes invadem a cabeça sem como nem porque. Sabes que não passará disso pois a realidade é que já não importa mais, não importa o que sentiste e o que pensaste. O que sentes naqueles momentos são apenas a (re) lembrança de memórias guardadas. Vai-se tornando tudo cada vez mais insignificante na tua cabeça, tudo cada vez menos importante do que já era e finalmente começas a aperceber-te que finalmente estás livre do maior peso que tinhas em ti e admiraste-te ser-te indiferente tal coisa. O tempo passa, o coração tem saudades, mas a cabeça ignora, tornando-se superior. Um dia mais tarde, vais começar a sentir falta de alguém que acima de tudo com quem tinhas uma grande amizade (talvez fosse essa a razão de tanta importância). Queres encontra-la e não consegues, queres falar com ela e há sempre algo que impede de o fazeres, começa a tornar-se impossível a sua ausência e decides lutar contra isso, ignorando o que sentes, pensando ser mais fácil e acabas por fingir que te continua completamente indiferente. Mais uma vez, só o tempo consegue tornar todo o fingimento verdadeiro e um dia mais tarde, vais lembrar-te de tudo e vais chorar por tudo ter acabado, mas vais ter a certeza e juras a ti mesma, que será a última vez que vais chorar por alguém que não merece as tuas lágrimas e que vais seguir em frente.

Um comentário:

  1. meu deus, marisa, nem sei que dizer. está mesmo perfeito. aliás, não se pode resumir a perfeito. um dos melhores textos que já alguma vez li, amor. está.. eish, nem sei. está óptimo, marisa!

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